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Visto K-1 de noivos: casar com americano começa nos EUA, e o consulado vem depois

Capa Visto Turbo: visto K-1 de noivos, o processo que começa com a petição do cidadão americano nos EUA antes da entrevista no consulado do Rio

“Sara, meu noivo é americano e a gente quer casar lá. Quando eu marco a entrevista no consulado?” Essa mensagem chega pra mim quase sempre com a data do casamento já escolhida — e, às vezes, com a data de saída do emprego também.

A resposta curta: no visto K-1, o visto de noivos, o primeiro passo não é seu nem do consulado.

Pela página oficial da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil, o cidadão americano “deverá protocolar a petição I-129F junto ao U.S. Bureau of Citizenship and Immigration Services (USCIS) nos Estados Unidos. Não é possível dar entrada na petição I-129F no Brasil.”

O USCIS é o órgão de imigração dos Estados Unidos; o I-129F é a petição que o cidadão americano faz em nome do noivo ou da noiva. Só depois de aprovada lá o seu caso chega ao consulado — e é aí que começa a parte que eu acompanho de perto.

O que é o visto K-1 (e o que ele não é)

A Embaixada define: o K-1 “é destinado a estrangeiros que desejam se casar com um cidadão americano nos Estados Unidos e se tornar um residente permanente legal (LPR) sem sair dos Estados Unidos”.

A lei americana descreve quem “seeks to enter the United States solely to conclude a valid marriage with the petitioner within ninety days after admission”: entra somente para casar com quem fez a petição, em até 90 dias depois da entrada.

O visitante, na mesma lei, é alguém “having a residence in a foreign country which he has no intention of abandoning” — com residência fora que não pretende abandonar. Quem planeja casar e morar lá não se encaixa nessa frase. Expliquei o visto de visitante no guia do visto B1/B2 de ponta a ponta.

O USCIS também diz quem fica de fora: o casal que já se casou, o que pretende casar fora dos Estados Unidos ou aquele em que a pessoa estrangeira já mora legalmente lá.

Um detalhe que pega casal brasileiro: a página de imigração por família da Embaixada diz que, “para propósitos imigratórios, o contrato de União Estável é equivalente ao casamento”. Com união estável registrada, converse com um advogado de imigração antes de escolher o caminho.

Quem pode pedir

  • Quem faz a petição é cidadão americano.
  • Os dois estão livres para casar: solteiros, divorciados ou viúvos. “Separação judicial não é aceita.”
  • Vocês se encontraram pessoalmente nos dois anos anteriores à petição. O USCIS permite pedir que essa exigência seja afastada só se o encontro violar costumes rígidos e antigos da cultura da pessoa estrangeira ou trouxer dificuldade extrema ao cidadão americano.
  • Vocês pretendem casar em até 90 dias depois da entrada, com intenção real de construir uma vida juntos — o casamento não pode ser “for the sole purpose of obtaining an immigration benefit”, só para obter um benefício imigratório.

Filhos solteiros menores de 21 anos podem ir com o visto K-2 — junto, ou pedindo em até um ano da emissão do visto do pai ou da mãe.

O caminho, na ordem

  1. A petição, nos Estados Unidos. Aprovado no USCIS, o I-129F segue para o Centro Nacional de Vistos (NVC), do Departamento de Estado.
  2. O caso vem para o Rio. O NVC avisa o peticionário quando envia o caso ao Consulado Geral no Rio de Janeiro. Você recebe um e-mail do Consulado com as instruções — e a orientação oficial é não agendar a entrevista antes dele.
  3. CASV e taxa. No site do CASV (Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto), você paga a taxa de solicitação do visto (a MRV) e agenda digitais e foto e, em seguida, a entrevista. Em setembro de 2026, a taxa publicada para a categoria K é de US$ 265.
  4. Entrevista, sempre no Rio. “Todas as entrevistas de visto K são feitas no Consulado dos EUA no Rio de Janeiro, independente de onde o solicitante more no Brasil.”
  5. Viagem. A validade máxima do visto K é, em geral, de 180 dias a partir do exame médico — pode ser menor. Na chegada, quem decide a entrada é o oficial da CBP, a agência de fronteira: visto não garante admissão.
  6. Casamento e residência. Casando em até 90 dias, você pede a residência permanente no USCIS, pelo formulário I-485. Com menos de dois anos de casamento na aprovação, o “green card” sai condicional, válido por 2 anos.

A petição tem taxa própria, na tabela de taxas do USCIS. E o próprio USCIS avisa que cada caso é diferente e a duração do processo varia — desconfie de quem promete prazo fechado.

Os documentos que mais atrasam a entrevista

A página do K-1 avisa: desde 1º de julho de 2025, “os solicitantes de visto de imigrante que comparecerem ao Consulado dos EUA para a entrevista sem todos os documentos originais exigidos não serão entrevistados e precisarão agendar uma nova data”. O que eu mais vejo travar:

  • Certidões policiais. Com 18 anos ou mais e morando no Brasil: a da Polícia Federal e uma da Secretaria de Segurança Pública de cada estado onde você morou seis meses ou mais nos últimos cinco anos. Certidão de cartório, fórum ou Poder Judiciário não vale, e as do visto K vencem em um ano.
  • Casamento anterior. Quem já foi casado — você ou o peticionário — leva a sentença de divórcio, a certidão de óbito do cônjuge ou a ordem de anulação, sempre original.
  • Exame médico, para todas as idades, antes da entrevista, com um médico examinador no Brasil — o “Panel Physician” da página oficial.
  • Passaporte com pelo menos 8 meses de validade, e o formulário online do visto (DS-160), um por pessoa da família.
  • Prova de relacionamento (contas telefônicas, fotos, e-mails) e suporte financeiro: evidência de que você não se tornará um encargo público, como o formulário I-134 preenchido pelo peticionário.
  • Declaração de Casamento: você preenche, mas só assina durante a entrevista — nada de cartório.

E um passo que não é papel: quem pede o K-1 recebe a instrução de deixar as redes sociais com privacidade pública. A etapa de digitais e foto está explicada no post sobre o que acontece no CASV.

Os 90 dias depois da chegada

Aqui mora o prazo que não tem volta. Pelo USCIS, a condição de K-1 “automatically expires after 90 days and cannot be extended” — vence sozinha e não pode ser prorrogada. Sem casamento, em geral a pessoa precisa deixar os Estados Unidos.

E o K-1 não abre outra porta: em geral, a residência não pode ser pedida “on any other basis besides marriage to you” — só pelo casamento com quem fez a petição.

Pra quem vai trabalhar: a autorização de trabalho pedida logo depois da entrada vale só 90 dias; pedida junto com o pedido de residência, vale um ano e pode ser renovada de ano em ano.

E a pausa dos vistos de imigrante para brasileiros?

Em 15 de janeiro de 2026, a Embaixada publicou que, “a partir de 21 de janeiro de 2026, o Departamento de Estado suspenderá a emissão de vistos para solicitantes de visto de imigrante” de uma lista de países que inclui o Brasil. As entrevistas seguem sendo agendadas; a emissão é que fica suspensa.

E o K-1? A página dele o lista entre as categorias de “visto de não imigrante”, e o aviso diz que vistos de turismo, por serem de não imigrante, ficam de fora. Mas o aviso não cita o visto de noivos, e a página do K-1 aplica a ele a regra de documentos escrita para solicitantes de visto de imigrante.

Até setembro de 2026, eu não encontrei nas páginas oficiais uma frase que resolva essa dúvida. Antes de pagar qualquer taxa aqui, confirme por escrito com o consulado — o e-mail publicado na página do K-1 é immigrationrio@state.gov — ou com um advogado de imigração. O contexto está no post sobre vistos de imigrante suspensos para brasileiros.

Na prática

Uma engenheira de Campinas me chamou em agosto de 2026 com a pergunta do começo deste post. Noiva de um americano que conheceu num congresso em 2025, casamento marcado para dezembro no Texas — e a saída da empresa, depois de oito anos, combinada para o fim de outubro.

Ela queria saber que dia ir ao consulado de São Paulo.

A primeira coisa que eu disse foi que o processo não começava com ela. Começava com o noivo, protocolando a petição no USCIS — e ele ainda não tinha feito isso.

A segunda: a entrevista não seria em São Paulo. Visto K, no Brasil, é entrevistado no Rio.

Depois, os fatos do caso. Divorciada, ela precisaria da sentença original; como morou no Paraná até 2023, de duas certidões estaduais, além da federal.

E ninguém tinha falado com ela da pausa.

O que mais pesou foi a data de saída do emprego. A página oficial do K-1 é explícita: “Por favor, não faça planos finais de viagem ou deixe seu emprego antes que seu visto esteja em suas mãos.”

Ela manteve o emprego. O noivo cuidou da petição do lado de lá e a gente começou pelo que dependia dela: certidões, papéis do divórcio e a história do relacionamento desde o congresso.

Aprovação eu não prometi, porque ninguém pode — quem decide é o oficial consular. O que a gente evitou foi um pedido de demissão por causa de uma etapa que nem tinha começado.

Resumindo

  • O K-1 é o visto de quem vai casar com cidadão americano nos Estados Unidos em até 90 dias depois da entrada e pedir a residência lá.
  • O primeiro passo é do cidadão americano: a petição I-129F, no USCIS. Não dá pra dar entrada no Brasil.
  • Toda entrevista de visto K no Brasil é no Rio. A taxa da categoria K é de US$ 265 (setembro de 2026), paga no site do CASV; a petição tem taxa própria no USCIS.
  • Sem os documentos originais, não há entrevista — certidões policiais, exame médico e papéis de casamento anterior são os que mais travam.
  • A condição de K-1 vence em 90 dias e não se prorroga.
  • A pausa de vistos de imigrante para brasileiros (desde 21 de janeiro de 2026) não cita o K-1: confirme antes de pagar.
  • Não deixe o emprego antes do visto na mão — a orientação é da página oficial.

Se você é noiva ou noivo de um cidadão americano e quer entender em que ponto do caminho vocês estão, me chama no WhatsApp contando em que pé está a petição. Eu ou alguém do time olha com calma a parte do Brasil — documentos, formulário e preparação para a entrevista — e, se o caso pedir, eu te digo quando vale ouvir um advogado de imigração.

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