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Entrevista do visto de estudante (F1): o que muda em relação ao turismo

Capa Visto Turbo: o que muda na entrevista do visto de estudante em relação ao turismo, com I-20, taxa SEVIS e redes sociais abertas

“Sara, a entrevista do visto de estudante é mais difícil que a de turismo?” Essa pergunta chega no meu WhatsApp toda semana, quase sempre de quem acabou de ser aceito numa escola nos Estados Unidos.

O dia no consulado é o mesmo: mesma taxa de solicitação, mesmas etapas, mesma conversa no guichê.

O que muda é o que você leva na pasta, uma pergunta que ganha peso — e uma instrução sobre redes sociais que não existe pra quem pede visto de turismo.

O que é igual ao turismo

A tabela de categorias da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil lista “Estudante: acadêmico ou vocacional e seus dependentes” como “F1 ou M1 – F2 ou M2”. Categoria diferente, caminho igual:

  • A taxa de solicitação é a mesma. Na tabela oficial de setembro de 2026, “(F) Estudante Acadêmico” e “(M) Estudante Vocacional/Não Acadêmico” estão na mesma linha de “$185 USD” que “(B) Visitante:Negócios, Turismo, Tratamento Médico” — e ela é devida “independente se a solicitação de visto resultar na emissão ou não do visto”.
  • As etapas dependem da cidade, não da categoria. No primeiro visto em Brasília, Rio de Janeiro ou São Paulo, “será necessário agendar duas entrevistas: 1 – A primeira será no CASV, onde coletaremos suas impressões digitais e tiraremos sua foto”. O CASV é o Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto — o lugar das digitais e da foto, não da entrevista.
  • Em Porto Alegre e Recife é um compromisso só. Esses consulados “não utilizam CASVs”: no primeiro visto “será necessário agendar apenas uma entrevista no Consulado, onde serão coletados seus dados biométricos e realizada a entrevista para o visto”.
  • A entrevista é pra todo mundo: “Todos os solicitantes devem comparecer a esta entrevista, independentemente da idade.”

O que se leva em qualquer pedido está no checklist do dia da entrevista.

O que só existe no pedido de estudante: o I-20 e o recibo da SEVIS

A lista oficial de documentos por categoria pede, do estudante, duas coisas que nenhum turista leva. A primeira é o I-20 — o “Formulário I-20, Comprovante de elegibilidade para o status de Estudante Não Imigrante (F-1 ou M-1)”: “O solicitante e o diretor da instituição de ensino devem assinar o formulário I-20.”

  • Leve o original: “You are expected to have the original Form I-20 at your visa interview” — cópia só em circunstâncias limitadas.
  • Menor de 18 anos não assina sozinho. “If you are under age 18, your parents must sign the Form I-20 for you.”

A segunda é o recibo da taxa SEVIS, o sistema americano de informações de estudantes: a lista pede “O recibo I-901 do Sistema de Informações de Estudantes e Intercambistas (SEVIS)”, e a orientação oficial fecha o assunto — “you must present proof of your I-901 SEVIS Fee payment at your visa interview”.

Repare no momento em que ela entra: a regra manda pagar a taxa “before the Department of State issues you a visa” — antes da emissão do visto, não depois.

Taxa por taxa, em setembro de 2026: a de solicitação do visto é de US$ 185; a SEVIS do F-1 está fixada no regulamento americano, que manda pagar “the amount of $350”. São pagamentos separados — não some os dois e confirme cada um no site oficial antes de pagar.

E a taxa expressa de US$ 750, que circula em grupo de intercâmbio como atalho, não é caminho pra estudante: a regra que a criou é um piloto de 1º de julho a 31 de dezembro de 2026, oferecido a “B1/B2 visa applicants”. E, pelo que a gente vê no atendimento, essa taxa não está sendo cobrada nos postos brasileiros (situação conferida em agosto de 2026).

A pergunta que ganha peso: quem paga o curso

No turismo, as evidências que podem ser pedidas são conhecidas: “Propósito da sua viagem”, “Sua intenção de partir dos Estados Unidos após sua viagem” e “Sua habilidade de pagar todos os custos de viagem”. No pedido de estudante a terceira linha cresce, porque a conta é maior e mais longa: “Prospective F-1 or M-1 students must have the financial resources to live and study in the United States. This includes being able to cover the cost of tuition, books, living expenses and travel.”

E não basta ter — é pra levar. A orientação diz que os estudantes “must bring their evidence of financial ability when applying for their student visa with the U.S. Department of State”, e lista exemplos: “Family bank statements. Documentation from a sponsor. Financial aid letters. Scholarship letters. Letter from an employer showing annual salary.”

Em português: extrato da família, documentação de quem patrocina, carta de auxílio ou bolsa, carta do empregador com o salário anual.

E a intenção de voltar continua na mesa, igual ao turismo — escrevi as perguntas mais comuns da entrevista e como pensar as respostas.

A instrução que o turista não recebe: redes sociais abertas

Esse ponto é recente e pega muita gente de surpresa. Num anúncio de 25 de março de 2026, o serviço oficial de agendamento diz que solicitantes de uma lista de categorias “são instruídos a ajustar a configuração de privacidade de todas as suas contas de redes sociais para ‘pública’ ou ‘aberta’, a fim de facilitar a verificação necessária para estabelecer sua identidade e admissibilidade aos Estados Unidos”.

As categorias F, M e J estão nessa lista. A categoria de visitante para turismo e negócios não aparece nela.

Repare no que está escrito: a instrução é sobre configuração de privacidade, não sobre apagar conteúdo. Se você mantém os perfis fechados por hábito, isso vira tarefa antes da entrevista — não na véspera, correndo.

A categoria e as duas datas

O tipo do visto tem que casar com o tipo do I-20: “Your type of student visa must match the type of Form I-20 you have (e.g., F-1 or M-1)”. É essa categoria que vai no formulário online do visto (DS-160) e no cadastro do agendamento.

E há duas datas que quase todo mundo confunde: “F-1 and M-1 student visas can be issued up to 365 days in advance of your course of study start date”, enquanto o I-20 “lists your program start date, 30 days before which you are allowed to enter the United States”.

Ou seja: o visto pode ser emitido até 365 dias antes do início do curso; a entrada, só a partir de 30 dias antes da data do I-20. O guia completo da categoria está no post sobre o visto F1.

O que muda depois da entrevista, a partir de 15 de setembro de 2026

Isso não é sobre a entrevista, e sim sobre o prazo que vem depois dela. Numa regra final publicada em 17 de julho de 2026, o Departamento de Segurança Interna dos EUA mudou o modelo de permanência do estudante: “An F-1 student is admitted for a fixed period of time, which is the period necessary to complete the course of study indicated on the Form I-20, or successor form, not to exceed a period of 4 years, plus additional times noted in this paragraph (f)(5)(i).”

Prazo fixo de até quatro anos, prorrogável pelo procedimento que a mesma regra cria (está no título dela: “an Extension of Stay Procedure”) — e teto menor pra curso de inglês: quem vai para “an English language training program” fica “restricted to a maximum of admission period of 24 months”.

A vigência tem ressalva na própria regra: “The effective date is September 15, 2026. However, at the conclusion of the congressional review, if the effective date has been changed, DHS will publish a document in the Federal Register to establish the actual effective date or to terminate the rule.” A data está publicada e pode mudar por revisão do Congresso.

Na prática

Uma analista de uma empresa de tecnologia do interior de São Paulo me chamou em agosto de 2026 com algo raro na mão: licença não remunerada de seis meses aprovada pelo RH, com data pra sair e data pra voltar ao mesmo cargo. Ia estudar inglês perto de Boston.

Chegou tranquila porque já tinha tirado visto de turismo em 2019. “É a mesma coisa, né?”

A primeira coisa que eu pedi não foi o extrato. Foi o I-20 e o recibo da SEVIS.

O I-20 estava no e-mail, em PDF, sem a assinatura dela. Recibo da SEVIS não existia — ela achava que era taxa cobrada no aeroporto, na chegada.

A segunda foi a carta do RH. Ela tinha, e nem sabia que era o documento mais forte da pasta: cargo, salário e data de retorno — o tipo de papel que a lista oficial cita como evidência financeira, “letter from an employer showing annual salary”.

A terceira foi a mais estranha pra ela: abrir a privacidade das redes sociais — instrução que alcança o pedido de estudante e não alcançava o de turismo de 2019.

Remarcar antes da entrevista não custaria taxa nova: os US$ 185 valem 365 dias e a remarcação no mesmo país é sem taxa adicional. Uma negativa, essa sim, consome a taxa. E consumiria a licença: seis meses aprovados com data marcada, que não se remarcam por e-mail.

Aprovação eu não prometi, porque ninguém pode — quem decide é o oficial consular. O que a gente montou foi um pedido que chega inteiro ao guichê.

Resumindo

  • O dia é o mesmo do turismo: no primeiro visto, dois agendamentos em Brasília, Rio e São Paulo, um só em Porto Alegre e Recife, entrevista para todos — e a mesma taxa de US$ 185 em setembro de 2026, devida mesmo que o visto não saia.
  • O que só o estudante leva: o I-20 original, assinado por você e pelo diretor da instituição (pais assinam se você tiver menos de 18 anos), e o recibo da SEVIS — US$ 350 no F-1, paga antes da emissão do visto e apresentada na entrevista.
  • Leve a prova de como o curso será pago: extrato da família, documentação de patrocinador, carta de auxílio ou bolsa, carta do empregador com salário anual.
  • Redes sociais: desde o anúncio de 25 de março de 2026, quem pede visto nas categorias F, M e J é instruído a deixar a privacidade das contas em “pública” ou “aberta” — a categoria de turismo e negócios não está na lista.
  • A partir de 15 de setembro de 2026 (data publicada, sujeita à revisão do Congresso), o F-1 é admitido por prazo fixo: o tempo do curso no I-20, com teto de quatro anos (prorrogável pela mesma regra) e de 24 meses para curso de inglês.

Se você foi aceito numa escola e está montando a pasta pra entrevista, me chama no WhatsApp com o tipo de curso, a data de início do seu I-20 e a cidade onde vai solicitar. Eu ou alguém do time olha com calma e te devolve o que falta e em que ordem resolver.

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