Rua Alameda Terracota nº545, Cerâmica — São Caetano do Sul
Quero meu visto
Home Sobre Nós Serviços Feedback Blog Contato Quero meu visto

Blog Visto Turbo

Visto J1: au pair, work experience e intercâmbio de trabalho nos EUA

Capa Visto Turbo: o visto J1 do intercâmbio nos EUA, das categorias au pair e work experience às taxas e à regra dos dois anos

“Sara, passei num programa de au pair — isso é visto de trabalho?” É assim que quase toda conversa sobre visto J1 começa no meu WhatsApp. E quase sempre vem com uma segunda pergunta, dita mais baixo: “e quando o programa acabar, dá pra ficar?”

A resposta direta: o J1 é o visto de intercâmbio — o visto de quem foi aceito num programa aprovado pelo governo americano, não de quem foi contratado por uma empresa nos Estados Unidos. Au pair, summer work travel, os programas de hotelaria que as agências vendem como “work experience”, monitor de acampamento, estágio e treinamento profissional: tudo isso é J1. Você trabalha e recebe, sim — mas dentro do programa, no lugar e no prazo que estão no seu documento.

A diferença que muda tudo: programa não é emprego

Essa é a confusão mais comum, e ela custa caro quando aparece só na entrevista. No visto de trabalho tradicional, uma empresa americana te contrata e pede sua vinda. No J1, o que existe é um programa de intercâmbio com objetivo declarado de troca cultural: você vai aprender, exercer uma função definida por um plano e voltar.

Na prática, isso significa três coisas que valem mais do que qualquer dica solta:

  • Você não escolhe onde trabalha depois que chega. O local, a função e as datas estão no seu documento de participação. Trocar de hotel, de família anfitriã ou de cidade por conta própria é violação de status, não iniciativa.
  • O J1 tem data de fim desde o primeiro dia. Ele acompanha o programa. Programa encerrado, status encerrado.
  • Ele não é degrau automático pra nada. Existe caminho de quem faz J1 e depois volta com outro visto, mas isso é um processo novo — e, pra parte das pessoas, tem uma regra no meio que eu explico mais abaixo.

Quem abre a porta do J1 é o sponsor — não a agência

Aqui mora um detalhe que quase ninguém sabe me responder de primeira. O sponsor é a organização designada pelo Departamento de Estado americano para operar aquele programa de intercâmbio. É ela — e só ela — que emite o DS-2019, o formulário que comprova que você foi aceito, em qual categoria, por quanto tempo e com qual custo estimado. Sem DS-2019 não existe pedido de J1.

A agência brasileira que te vendeu o pacote normalmente não é o sponsor: ela é a intermediária que te conecta a um. Isso não é problema — é como o mercado funciona. Vira problema quando você não sabe o nome do sponsor, porque a lista de organizações designadas é pública no site oficial do programa J1 (j1visa.state.gov). Se ninguém consegue te dizer qual é o sponsor, ou se o nome não aparece na lista oficial, pare antes de pagar.

Outra coisa que o sponsor exige e muita gente descobre tarde: seguro saúde com cobertura mínima obrigatória durante todo o programa, pra você e pra quem for junto. Não é opcional nem é “aquele seguro viagem de US$ 40” — é requisito do regulamento, e o sponsor confere.

As categorias que mais chegam no meu WhatsApp

O J1 tem mais de uma dúzia de categorias, de professor visitante a médico em treinamento. Estas são as que mais aparecem pra quem me procura:

  • Au pair. Entre 18 e 26 anos, morando com uma família anfitriã e cuidando das crianças até um limite semanal de horas definido no regulamento. O programa padrão dura 12 meses e pode ser estendido por 6, 9 ou 12 meses. Tem uma obrigação que surpreende quase todo mundo: você precisa cursar créditos acadêmicos numa instituição americana durante o ano, e a família anfitriã participa desse custo até um teto previsto no regulamento (US$ 500 no au pair padrão, referência de agosto de 2026 — confira o que está no contrato do seu sponsor).
  • Summer work travel. Pra universitário matriculado, durante as férias do calendário brasileiro. É trabalho temporário e sazonal, em geral de até quatro meses, e existe sob a premissa de que você volta pra faculdade aqui. Quem trancou o curso normalmente não se encaixa.
  • Estágio (intern) e treinamento (trainee). É aqui que cai o famoso “work experience”, que não é uma categoria oficial de visto — é o nome comercial que as agências dão, no geral, aos programas de hotelaria e turismo. O intern é pra quem está na faculdade ou se formou há pouco tempo, com duração de até 12 meses. O trainee é pra quem já tem formação e experiência na área, com duração de até 18 meses (12 meses em hotelaria, turismo e agricultura). Ambos exigem um plano de treinamento formal, assinado antes da entrevista, descrevendo o que você vai aprender — não é “vai trabalhar na recepção”.
  • Camp counselor. Monitor de acampamento de verão, a partir de 18 anos, por até cerca de quatro meses.

Se o seu plano é estudar em carga cheia — faculdade, pós ou curso de idioma integral —, o caminho não é o J1: é o visto F1, o de estudante. Os dois se parecem no processo e são bem diferentes no propósito.

O caminho até a entrevista, na ordem certa

  1. Aceitação no programa e DS-2019. O sponsor aprova seu perfil e emite o formulário com sua categoria, datas e número no sistema.
  2. Taxa SEVIS (I-901). Paga com o número do seu DS-2019, antes da entrevista. É a taxa do sistema que registra participantes de intercâmbio nos Estados Unidos.
  3. DS-160. O formulário online do visto, preenchido com os dados que precisam bater com o DS-2019 — nome, datas e o nome do sponsor.
  4. Taxa consular MRV e agendamento. Paga a taxa, agenda CASV e entrevista.
  5. CASV. O centro onde é feita a coleta de foto e digitais, em dia anterior ou no mesmo dia, conforme o consulado.
  6. Entrevista no consulado. Presencial e obrigatória para todas as idades desde 02/09/2025.

Guarde esta frase, que é irmã da que eu repito pra quem vai de F1: aceitação no programa não é visto aprovado. São duas decisões independentes, de duas instituições diferentes. O sponsor decide se você entra no programa; o oficial consular decide sobre o visto.

Quanto custa: taxa por taxa, em agosto de 2026

Não existe número único de “quanto custa o J1”, e quem te der um está simplificando o que não dá pra simplificar. São valores separados, pagos em momentos diferentes, e cada um muda por conta própria:

  • Taxa SEVIS (I-901). Em agosto de 2026, a referência é US$ 220 para a maior parte das categorias J1 e US$ 35 para au pair, camp counselor e summer work travel. Confirme o valor da sua categoria no site oficial de pagamento antes da transação — é a taxa que mais gera confusão. E confira também se ela já não está inclusa no pacote da agência, pra não pagar duas vezes.
  • Taxa consular MRV — US$ 185 por pessoa. A mesma de qualquer visto de não-imigrante em agosto de 2026. Não é reembolsável, mesmo se o visto for negado.
  • Visa Integrity Fee — US$ 250. Aprovada em lei em julho de 2025, com cobrança em implantação gradual. Incide na emissão do visto: quem é negado não paga. Confirme no consulado se já está sendo cobrada no seu caso.
  • Taxa do programa. O que você paga ao sponsor e à agência. Não é taxa de governo, varia enormemente de programa pra programa e é a parte que mais pesa no total. Peça por escrito o que está incluso — seguro, passagem, hospedagem inicial, curso.

Um atalho que às vezes aparece em grupo de intercâmbio e não serve aqui: a taxa expressa de US$ 750 é um piloto válido até 31/12/2026, restrito a B1/B2 e a postos selecionados — não é caminho para J1. O raciocínio de somar taxa por taxa, com data de referência, eu detalhei em quanto custa o visto americano em 2026.

A regra dos dois anos: o item que mais muda plano

Este é o ponto do J1 que eu mais vejo descoberto tarde demais. Parte dos participantes fica sujeita a uma exigência conhecida como regra dos dois anos de residência no país de origem: antes de poder pedir determinados vistos (como os de trabalho H e L, o de noivo K) ou a residência permanente, é preciso ter cumprido dois anos morando no seu país depois do programa.

Três coisas ajudam a colocar isso no lugar certo:

  • Não é pra todo mundo. Ela alcança, em resumo, quem teve financiamento de governo no programa, quem atua numa área que consta da lista de especialidades do próprio país e médicos em treinamento. Muita gente faz J1 e não se enquadra em nenhuma dessas situações.
  • A anotação no seu DS-2019 e no visto é preliminar, não é sentença. Quem dá a palavra final é o Departamento de Estado, através de um parecer formal que se pede quando a resposta importa pro seu plano.
  • Ela não te impede de voltar a turismo. A regra atinge categorias específicas, não a sua vida. Visto de turista continua sendo um pedido normal.

Uma observação honesta sobre a lista de especialidades: ela é revisada de tempos em tempos — a última revisão mudou bastante a composição de países. Por isso eu não respondo essa pergunta de cabeça pra ninguém, e desconfie de quem responder. O certo é conferir a versão vigente da lista à luz da sua área e, quando o seu plano depende disso, pedir o parecer formal. Se o seu caso envolve imigração de verdade — casamento, residência permanente, mudança definitiva —, vale conversar também com um advogado de imigração.

Sim, o oficial ainda avalia se você volta

O J1 é um visto temporário como qualquer outro de não-imigrante. Ter sido aceito num programa de um ano não dispensa você de mostrar o que te traz de volta ao Brasil: emprego que te espera, faculdade em andamento, família, projeto declarado. Quando o oficial não se convence, a negativa vem pelo caminho de sempre — 214(b), sem recurso nem apelação. Reaplicar significa novo formulário, nova taxa e nova entrevista, com algo real de diferente pra apresentar.

E existe uma frase que derruba pedido de J1 mais do que qualquer documento faltando: “vou ver se consigo ficar por lá”. Dita no balcão, ela transforma um pedido de intercâmbio numa dúvida de intenção. Não porque seja proibido sonhar — mas porque o visto que você está pedindo é, por definição, o de quem vai e volta.

Quem vai junto: o visto J2

Cônjuge e filhos solteiros menores de 21 anos podem pedir o J2, que acompanha o seu visto. Nem toda categoria admite acompanhante — au pair e summer work travel, por exemplo, não são programas pensados pra isso —, então confirme com o sponsor antes de planejar.

Uma diferença que vale conhecer: ao contrário do F2, que acompanha o estudante e não permite trabalhar, o J2 pode solicitar autorização de trabalho ao órgão de imigração americano — é um pedido separado, que precisa ser aprovado antes de qualquer atividade remunerada, e não é automático. Filhos com J2 podem estudar em escola regular.

Prazos: quando o visto sai, quando dá pra entrar e quando acaba

  • Assim que o DS-2019 estiver na sua mão, dá pra resolver o consulado. O J1 não tem a janela fechada de um ano que existe pro F1 — o que manda é o DS-2019 estar válido. Resolver cedo é o que eu recomendo, porque a fila de agendamento é o item que você menos controla.
  • A entrada nos Estados Unidos só é permitida a partir de 30 dias antes do início do programa. Visto na mão não é passe pra chegar antes e passear.
  • No fim do programa existe um período de graça de 30 dias pra arrumar as coisas e viajar dentro do país. Ele não serve pra trabalhar e não permite sair e voltar: se você deixar os Estados Unidos nesse período, o J1 já cumpriu a função dele.

E quanto tempo você pode ficar não está escrito no visto. O visto é a permissão de se apresentar na fronteira; a permanência é registrada no I-94, o registro eletrônico da sua entrada, e depende de você manter o status — programa ativo, seguro em dia, atividade dentro do que está no DS-2019. Antes de mexer em qualquer coisa por lá, fale com o responsável pelo seu programa no sponsor. É a mesma lógica de quem estuda com F1 e precisa falar com a escola antes de mudar a carga horária.

Na prática

Uma formanda em hotelaria, 24 anos, me chamou com o programa já pago: doze meses de “work experience” num resort na Flórida, começando em janeiro. Ela achava que a parte burocrática tinha acabado quando assinou com a agência e queria só “não errar na entrevista”.

Três coisas apareceram na primeira conversa. A primeira: ela não sabia dizer o nome do sponsor. Sabia o nome da agência brasileira, que era quem ela conhecia. Fomos ver o DS-2019, achamos a organização responsável, conferimos na lista oficial de programas designados — estava lá, tudo certo. Mas ela ia entrar na sala do consulado sem saber quem era, formalmente, a entidade que respondia pelo programa dela.

A segunda: o plano de treinamento dizia coisas específicas — rodízio por três áreas do hotel, com objetivos de aprendizado por fase — e ela nunca tinha lido aquilo com atenção. Descreveu o programa pra mim como “vou trabalhar na recepção”. Não era mentira; era só a versão pobre de uma coisa que estava bem escrita no documento dela.

A terceira foi a mais delicada. Quando perguntei o que ela faria na volta, veio: “aí eu vejo, quem sabe eu consigo um visto de trabalho depois”. Aí a gente parou. Não pra desanimar o plano — mas porque, se ele existia, valia entender antes se a regra dos dois anos alcançava o caso dela, e isso não se resolve com achismo de grupo de WhatsApp. Ela levou a dúvida pro caminho certo, com o sponsor e com quem sabe emitir parecer sobre isso.

Ela foi à entrevista sabendo o nome do sponsor, sabendo descrever o próprio treinamento em duas frases e com a data de retorno na ponta da língua, porque tinha um estágio esperando por ela num hotel aqui. Saiu com o visto. Não porque alguém prometeu resultado — eu não prometo, e ninguém honesto promete, porque quem decide é só o oficial consular. Mas porque ela parou de tratar o próprio programa como um pacote comprado e passou a tratá-lo como uma coisa que ela sabia explicar.

Resumindo

Em agosto de 2026, o visto J1 é o caminho de quem vai participar de um programa de intercâmbio aprovado pelo governo americano — au pair, summer work travel, camp counselor, estágio e treinamento profissional, o tal do “work experience”. Ele permite trabalhar, mas só dentro do programa, no local e no prazo do DS-2019, que é emitido pelo sponsor e não pela agência. As taxas se contam uma a uma: SEVIS conforme a categoria, MRV de US$ 185 e, na emissão, a Visa Integrity Fee de US$ 250 em implantação gradual, além do valor do programa, que é privado. A entrevista é presencial pra todas as idades, o oficial continua avaliando se você volta, e parte dos participantes fica sujeita à regra dos dois anos — que se checa antes, não depois.

Se você está com uma proposta de programa na mão e não sabe se o J1 é mesmo o seu caso — ou se o seu plano depois dele bate com a regra dos dois anos —, me chama no WhatsApp que eu ou alguém do time olha o seu DS-2019 e o seu perfil com calma, antes de você pagar qualquer taxa. A gente não promete aprovação — ninguém honesto promete. O que a gente garante é que você não vai descobrir na sala do consulado uma regra que dava pra ter lido antes.

Pronto para tirar seu visto americano?

Análise de perfil gratuita e sem compromisso. Fale com a gente agora.

Quero meu visto